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CHAMADA - DOSSIÊ “DONS DO POEMA”: ENCONTROS POÉTICOS ENTRE FRANÇA E BRASIL |
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No período simbolista, a poesia se descobre postada na solidão da escrita. Ao se separar das ‘palavras da tribo’ e ao fazer do ‘silêncio’ um de seus valores supremos, ela se isola em si mesma, colocando em questão, ao mesmo tempo que a comunicação pela linguagem, a possibilidade mesma de uma comunidade entre os homens. Não obstante, essa retração da poesia em direção a si mesma se faz acompanhar, contraditoriamente, da exigência de uma escuta mais justa, de uma audiência mais aguçada, por meio das quais o poema suscitará um público novo, ainda por vir, e restabelecerá, ao menos virtualmente, uma comunidade humana revitalizada. É por isso que a autorreferencialidade das obras simbolistas, assim como seu hermetismo por vezes quase provocador, associa-se à reinvenção dos rituais de endereçamento lírico ou do dom do poema : dedicatória, tributo, envio, oferta (eles mesmos referidos a esses pequenos círculos literários, em parte solenes, em parte irônicos, com os quais passa a contar então a República das Letras) sinalizam a reafirmação de um elo entre os seres humanos: literalmente um religião (religação), mesmo sem deus, de que o poema será então o espaço mais autêntico. Considerando os gestos de interlocução que acompanham isso que o poema oferece, seria o caso então de refletir sobre essa religião profana que instaura, de modo precário, a poesia em seu devir moderno. A Revista aceita também trabalhos sobre outros temas concernentes aos estudos de poesia para figurar na seção Vária. Os artigos devem ser submetidos no próprio site da Texto Poético: http://revistatextopoetico.com.br/index.php/rtp Período de submissão: de 01 de fevereiro a 30 de abril de 2019 Publicação: setembro de 2019 |
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| Publicado: 1969-12-31 | Mais... |
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v. 15, n. 26 (2019): Poesia e outras drogas (versos ópios édens)
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